sábado, 23 de janeiro de 2010

Simulador dissimulado


O mais triste disso tudo é saber que tive uma daquelas recaídas. Não, eu não vou falar do amor daquela maneira desacreditada, nem vou gastar minha mente tentando entender coisa alguma. O fato é que existem pessoas estranhas, falsas, cínicas, maquiavélicas, egoístas... e por aí vai. Não sei em qual destes adjetivos posso encaixar este indivíduo. O que me resta dizer é que a perda maior foi dele, não aceita amor, dedicação, entrega. Eu tenho um kit completo para o felizardo que me aceitar. Fique então com o que considere suficiente (admiro pessoas humildes que se contentam com pouco). Há muitos como você, espalhados por aí, prisioneiros do medo, sempre buscando uma oportunidade de sugar a energia vital de alguém, digo a você, não bebeu um terço do real conteúdo desta fonte, e se acaso pensa que levou embora o brilho dos meus olhos, saiba que te dei minha derrota como presente.
Caso encerrado.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Doce feitiço


Parece que sempre estou prestes a escrever meu último texto, é como se eu já tivesse visto e vivido tudo, no entanto, outros ares surgem...
Aquele olhar, que parece ter vindo de terras que aqui não pertencem, buscava uma ligação comigo... é como se aguardasse minha presença ali, tendo a plena certeza de que um dia eu chegaria.
... o que quer de mim? Por que me tenta para este mundo? Sabes que me enfeitiça... Me faz querer estar entregue. Sabe o que eu faria? Eu iria em sua direção, mesmo sabendo que em suas mãos houvesse um punhal.
Você é capaz de converter a morte em êxtase... Eu não tenho coragem de fugir ao seu chamado.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Menino...

Em pensar que a causa de minha insônia, encontra-se em tão inocente olhar...
Apesar da incerteza sobre que pensamentos lhe tomam, gosto de imaginar que tu habitas meu mundo, te entrega à euforia de cada encontro, sempre almejando mais... (assim como eu).
De fato existe um perigo nesta entrega, algo que me faz esquecer minha real condição. Este meu sonhar enlouquecido com a tua presença me assusta muito. Ainda mais sabendo que eu possa morrer envenenada por meus próprios devaneios. Não quero acordar desta fantasia, menino...
Queria poder chegar mais perto de onde habita tua emoção, talvez assim eu pudesse transmutar teu sentimento e fazer com que queiras para ti, meu colo como aconchego.

sábado, 14 de novembro de 2009

Aquelas que me habitam 2

Luna tem estado mais presente... ao perceber os estragos que Amarílis havia feito, caiu em profunda depressão, sentiu-se impotente e desvalorizada. O que a entristecia mais, era saber que após esta queda, ninguém se compadeceu de seu estado. As pessoas pareciam mais distantes, ou então, nunca se importaram de fato. Considerando a indiferença delas, Luna começou a avaliar a situação e a refletir as atitudes de Amarílis... “No fundo Amarílis está certa, ela joga o jogo das pessoas, faz a vida efêmera, ressalta os prazeres que se tornaram seu vício. Não se envolve para que as indivíduos não a machuquem... para que eles não machuquem eu, Luna!”

Luna chega a uma conclusão inusitada, agora percebe Amarílis como sua protetora, aquela que usa os outros para se vingar, faz deles insignificantes, age como eles, dá em troca o que sempre recebeu, o que “elas” sempre receberam.

Aquelas que me habitam, não estão em mim com o propósito de corromper uma à outra, elas são minha fonte de análise daquilo que recebo. Através delas tenho um suposto equilíbrio. Uma ou outra sempre entra em ação, de acordo com minha necessidade. Estas presenças são importantes pra mim, pois sem elas, eu jamais teria condições de interpretar um mundo tão vazio...



sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Buscava entender...


Hoje, por uma questão de instinto ou então mero desatino, relembrei daquele que ficou no passado. Na realidade eu não buscava nada, apenas queria olhar pra trás e com a mente mais branda, tentar entender o ocorrido naquela ocasião. Claro que não alimento mais nenhuma esperança, seria o cúmulo do masoquismo. Enquanto passeava pelas lembranças, achava até graça das minhas sandices. Todo aquele sofrimento que me acompanhava, parecia contrações de uma grávida. É incrível como o psicológico pode beirar o físico...
Mas ao mesmo tempo que me via livre daquilo tudo, sentia uma certa tristeza... era como retornar a um campo de concentração, após os horrores que lá aconteceram. Percorrer as salas silenciosas, antes temperadas com gritos.
O que quero no momento, é ter alguém que me presenteie com recordações doces, tão doces que possam ser degustadas... o sabor deve estar mais vivo do que nunca... e que o passado seja apreciado e relembrado em um colo presente.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Aquela dança...

Não sei nem por onde começar este relato... Foi tão magnífico o que presenciei, que não há palavra no mundo capaz de descrever este sentimento. Começou como um dia comum, ela procedeu da maneira habitual, nada demais. Executou as tarefas de sempre, porém neste dia ela resolveu fazer algo que considerava esquecido. Encaminhou-se até o som e tocou sua música... Naquele momento, esqueci quem ela realmente era e a arrogância que a temperava. Não era mais ela... transcendeu. Integrou-se a melodia, vestindo-a de movimentos. Mulher, que bonitas as suas cores! Queria que soubesse: o transe que se apoderou de ti, fez vítimas. Observando aquele acontecimento, senti minha alma ganhando forma, irradiando luz. Quando você dançou, esqueci quem eu era. Tive a sensação de ter nascido naquele instante e a primeira cena presenciada por meus olhos: sua dança. Hoje creio... uma sincronia de movimentos encobre o mundo lá fora, veta as dores e as mágoas... e faz da morte, uma mera ilusão.

domingo, 17 de maio de 2009

Amanhã vou me vestir de rosa...

Amanhã vou me vestir de rosa... Levar comigo toda aquela sensação doce, do sentimento que espero ansiosamente receber. Estou sentindo até o cheiro das rosas... Decidi expor a representação do que aguardo. Nada é mais divino do que aquilo que está por vir. A sensação é de esperar uma visita com um bolo recém saído do forno, é como um pássaro arrumando seu ninho. Não... não é isso, não vou me casar, eu apenas vou me vestir de rosa, fazer da flor meu vestido, fazer da cor meu símbolo. Caminhar sobre a textura macia das pétalas, até que a mutação comece... Este perfume é meu, esta textura é minha, agora sei, o devaneio que tive, mas a vontade não foi embora, só sei que... este jardim está muito pequeno pra mim, então... Abrirei minhas pétalas e amanhã vou me vestir de carne... vou me vestir de mulher...